“Bebê dragão” é atração da 1ª ferrovia em caverna do mundo

Quando chuvas fortes ou inundações traziam à superfície um curioso “peixe” de pele translúcida e sem olhos, a população acreditava que eram filhotes de… dragão.

Hoje, porém, se sabe que o proteus (Proteus Anguinus), que só receberia uma descrição científica, em 1768, é um anfíbio cego endêmico das águas subterrâneas de cavernas do sul da Europa e o único vertebrado que vive exclusivamente no subsolo.

E, em se tratando da surreal Eslovênia, dá até para visitar um autêntico bebê dragão, a bordo de um trem de passageiros dentro de uma caverna.

Postojna Cave/Reprodução

Mas não se engane com sua suposta aparência frágil. De acordo com a administração da Caverna de Postojna, o proteus pode ficar anos sem comida e viver até 100 anos.

Esse animal, um dos maiores predadores das cavernas, é conhecido por sua alta capacidade de sobrevivência em ambientes escuros e por longos períodos sem comida. Apesar da ausência de olhos, seu corpo entre 25 e 30 centímetros pode “ver” tudo com a ajuda dos receptores da pele.

Em entrevista para a revista National Geographic, a bióloga da caverna, Katarina Kanduč, descreveu essa salamandra como a coisa mais próxima a um dragão que conseguiu ver em sua vida.

Chamado também de peixe-humano, devido à semelhança de sua pele com a dos humanos, o bebê dragão é um dos atrativos da impressionante Caverna de Postojna, um dos locais mais visitadas na Eslovênia.

Postojna Cave/Reprodução

A Eslovênia não é deste mundo

A 50 quilômetros da capital Ljubljana, aproximadamente, Postojna é uma caverna com 24 quilômetros de vias subterrâneas, abertas ao público, em imensos salões de rochas calcárias de mais de três milhões de anos.

Atualmente, a visita a um dos atrativos mais inusitados da Europa é feita a bordo de um trem que cruza salas decoradas com estalactites, estalagmites e cortinas, cujo tour de 3,7 quilômetros é combinado com uma caminhada de 1,5 quilômetro de extensão.

Mas nem sempre foi fácil assim.

Quando abriram as portas para receber os primeiros visitantes, em 1824, os administradores da Caverna de Postojna desejavam mostrá-la para o maior número possível de visitantes. Mas eles não imaginariam que, exatos 200 anos depois, a atração seria vista por mais de 40 milhões de pessoas das mais variadas nacionalidades.

Postojna Cave/Reprodução

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Quando foi aberta para visitação pública, os próprios guias se encarregavam de iluminar a caverna com lamparinas, mas a solução para seus tours só viria mais de 50 anos depois.

Por conta de sua estrutura (quase) horizontal, em junho de 1872, aquele labirinto de salões imponentes ganharia 2.260 metros de trilhos, uma pequena ferrovia por onde passavam os carrinhos empurrados pelos próprios guais.

O atrativo só passaria a contar com uma locomotiva interior, a partir de 1924, um modelo Montania 803 usado em minas e movido a gasolina, com capacidade para 20 passageiros.

Com o crescimento no número de visitantes, a caverna receberia outros modelos (barulhentos e esfumaçados) para até 150 pessoas por vez e as primeiras duas locomotivas elétricas movidas a bateria só chegariam a Postojna, em 1956.

Mas daí surgiria outro problema.

Postojna Cave/Reprodução

Como aquela ferrovia de mão única só permitia a circulação de três trens ao mesmo tempo (e com uma procura turística cada vez maior), a solução foi construir uma linha circular de duas vias, entregue entre 1964 e 1967.

Atualmente, os visitantes contam com dez locomotivas movidas a bateria que puxam no total seis trens.

Se até sua aberta, Postojna tinha pouco mais de 300 metros de caverna acessíveis, hoje, são mais de cinco quilômetros de passagens, em tours guiados de 1h30 de duração.

Alan Kosmač/Slovenian Tourist Board

A Caverna de Postojna fica a apenas nove quilômetros de outra atração surreal da Eslovênia: o Castelo de Predjama.

Essa construção medieval a 123 metros de altura foi esculpida no interior de uma rocha, onde acredita-se que um homem conhecido como Erasmo teria se refugiado para fugir da decapitação ordenada pelo rei húngaro Matija Korvin.

Seu interior tem diversas áreas na rocha, como oratório, quartos e galerias subterrâneas interligadas com 13 quilômetros de extensão, considerado o sistema de caverna mais extenso da Eslovênia.

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