Veja as locações de ‘Passaporte para Liberdade’, nova minissérie da Globo

Anunciada, inicialmente, como ‘O Anjo de Hamburgo’, a minissérie da Globo ‘Passaporte Para Liberdade’ tem estreia marcada para o próximo dia 20 de dezembro.

Gravada em Buenos Aires e no Rio de Janeiro, a série conta a história de Aracy de Carvalho, brasileira que foi secretária no consulado brasileiro em Hamburgo, nos anos 30, onde conheceu o cônsul adjunto João Guimarães Rosa.

Quando o futuro autor de “Sagarana” e “Grande Sertão: Veredas” é convocado para ocupar o cargo de cônsul-adjunto do Brasil em Hamburgo, conhece e se encanta por Aracy, logo no primeiro dia de trabalho.

Com o passar dos dias, o diplomata percebe que a funcionária do consulado escondia algo.

João (Rodrigo Lombardi) e Aracy (Sophie Charlotte) (foto: Globo/Divulgação)

Na Europa, Aracy facilitou a fuga de judeus perseguidos pela política cada vez mais restritiva na Alemanha de Hitler e no Brasil de Getúlio Vargas.

Entre as manobras, Aracy chegou a alterar documentos, distribuiu alimentos em tempos de racionamento para judeus, ajudou-os a transferir dinheiro para o Brasil e transportou “vários deles em seu automóvel de placa diplomática”.

A superprodução, adiada por conta da pandemia, terá oito episódios e é falada totalmente em inglês. CONHEÇA O ELENCO.

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Locações de ‘Passaporte para Liberdade’

Por conta da paralisação de produções audiovisuais em todo o mundo, desde que a pandemia de coronavírus começou, a produção passou por diversas adaptações.

“Foi uma loucura dar continuidade ao trabalho depois de mais de um ano. Foi um desafio muito grande e difícil”, lembra o diretor Jayme Monjardim, que na época tinha filmado apenas metade da minissérie.

Iniciadas em janeiro de 2020, as gravações da minissérie transformaram Buenos Aires na Hamburgo dos anos 30.

Os edifícios históricos da capital argentina emprestaram suas fachadas para a ambientação da cidade alemã dos anos que antecederam a 2ª Guerra Mundial, como o Palácio Sans Souci, Teatro Colón e o Centro Cultural Kirchner.

Gravação da minissérie ‘Passaporte para Liberdade’, em Buenos Aires (foto: Globo)

Em fevereiro daquele mesmo ano, as filmagens seguiram em externas e nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro.

O Arsenal da Marinha, por exemplo, foi um dos locais que serviram de ambientação para as ruas e vielas de Hamburgo, cuja Baía de Guanabara da capital fluminense seria transformada na zona portuária da famosa cidade do norte da Alemanha.

A sede do Governo do Estado do Rio de Janeiro, conhecido como Palácio da Guanabara, também abriu suas portas para ambientar cenas da minissérie.


“Trabalhamos para tornar visível e crível o recorte de mundo desejado à narrativa. Uma Alemanha às vésperas da Segunda Guerra Mundial, com Hitler e o nazismo transbordando ferocidade”, conta a cenógrafa May Martins.  

Assim como explica o autor Mario Teixeira em nota a que o Viagem em Pauta teve acesso, a ideia da minissérie partiu do diretor Jayme Monjardim.

“Escrever sobre a Aracy era instigante do ponto de vista da criação. Mais do que um resgate histórico de sua memória, ela seria apresentada a nós brasileiros e ao mundo como realmente foi”, explica Teixeira.

Aracy de Carvalho diante da auto-escola de Josef Heinz Bühn, onde aprendeu a dirigir. Altona, em 1937 (foto: editora Record)

Passaporte para Liberdade

Aracy de Carvalho nunca fez questão de holofotes.

Muitas vezes lembrada apenas como esposa de Guimarães Rosa e pouco conhecida no Brasil, a paraense Aracy de Carvalho escolheu a desobediência para a sua vida.

Separou-se do primeiro marido em plenos anos 1930 e se arriscou com o filho pequeno na Alemanha, em uma época em que o normal era a imigração para as Américas.

Protagonista da sua própria vida, Aracy foi um exemplo real de que o amor pela humanidade pode vencer o ódio.

“O mais marcante da história da Aracy é como ela conseguia enxergar, com tanta clareza, o que era a coisa certa a se fazer – e tomar a iniciativa de fazê-la, enquanto todos ao seu redor estavam persuadidos ou apavorados com o governo nazista”, analisa Rachel Anthony, que divide o roteiro com Mario Teixeira.

Por salvar judeus da “deportação e do extermínio”, Aracy recebeu do Museu do Holocausto de Jerusalém (Yad Vashem) o título de “Justa entre as Nações”, em 1983.

Aracy de Carvalho Moebius, conhecida como Justa (foto: editora Record)

O título é marcado com uma árvore na Avenida dos Justos, em Jerusalém, e “permite a comemoração pública de uma integração coletiva bem-sucedida”, nas palavras da autora de ‘Justa’, Mônica Raisa Schpun.

O memorial israelense concedeu mais de 20 mil títulos como o de Aracy, dos quais 30 foram para diplomatas. “Destes trinta, dois são brasileiros” (o outro era Luiz Martins de Souza Dantas, embaixador na França, de 1922 a 1934).

Aracy seria a única mulher. Única e justa.

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O elenco

Na ficção que a Globo estreia nesta semana, considerada a primeira produção da emissora em parceria com a Sony Pictures Television, o elenco é marcado pela diversidade de nacionalidades.

Sophie Charlotte (Aracy de Carvalho) e Rodrigo Lombardi (João Guimarães Rosa) atuam ao lado de nomes como Tarcísio Filho (cônsul Souza Ribeiro), Gabriela Petry (Vivi Landau) e João Cortês (Wilfried Shwartz), entre outros.

O ator britânico Thomas Sinclair Spencer interpreta o facínora soldado nazista Karl Schaffer (foto: Globo/Divulgação)

Já o elenco internacional é formado pelos alemães Peter Ketnath e Stefan Winert, o britânico Thomas Sinclair Spencer, e a atriz israelense Sivan Mast, que interpreta Helena Krik, jovem da resistência contra Hitler que se apaixona pelo judeu Rudi Katz, vivido pelo italiano Jacopo Garfagnolli

A série teve como uma das referências bibliográficas o livro ‘Justa: Aracy de Carvalho e o resgate dos judeus: trocando a Alemanha nazista pelo Brasil’, escrito por Mônica Raisa Schpun, doutora em História e pesquisadora da EHESS (Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais), em Paris.

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Saiba mais sobre o livro: ‘Justa’, a brasileira que salvou judeus do nazismo

5 Comentários

  1. Fascinante a mini série “Passaporte para a Liberdade”! Fantástica! Impossível você nã adentrar na história tal a veracidade que passa! Elenco, locação, os personagens tão reais que é impossível não se apaixonar na primeira cena! De uma qualidade nunca vista, em todos os detalhes! Merece ganhar todos os prêmios internacionais!

  2. Achei a série muito boa com bons atores e maravilhosas locações.
    Parabéns para todos e em especial para Jaime Monjardim pela sua sensibilidade para escolher o tema.
    Só foi lamentável a rede globo a exibir num horário em que a maioria das pessoas dormem ,especialmente as que trabalham.
    Considero necessário e importante as pessoas ver e se conscientizar dos perigos do fascismo ,ameaça no mundo atual.

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