E a Disney, quando será que abre? A retomada do turismo que nunca acontece

C

ada vez que bate na minha caixa de email um release sobre mais um anúncio de abertura de um hotel ou destino, minha alma aventureira comemora.

Mas logo vem o outro lado do cérebro, aquele que se ocupa da lógica, e avisa “isso vai dar m…”.

Assim, desde meados de março, vivemos entre a expectativa e a realidade, entre a esperança e o medo, entre a necessidade (econômica) e a vontade de estar outra vez na estrada.

VEJA TAMBÉM: “[CRÔNICA]: Eles não moram mais aqui”

“Novo normal” mesmo é esse abre e fecha que veio para ficar por mais tempo do que podiam imaginar jornalistas e produtores de conteúdo de turismo.

Haja receita nova de comidinhas para alimentar blogs, sugestão de (soníferos) tours virtuais e #tbt para lembrar daquela viagem ostentação que você não vai poder fazer tão cedo.

imagem: Pixabay/Google Imagens

LEIA TAMBÉM: “Com medo e desconfiado, brasileiro ainda deve demorar para viajar”

Não adianta rezar no pé de Padre Cícero, recorrer à fitinha do Senhor do Bonfim e sair por aí publicando “vamos descobrir o Brasil”. Depois de ter deixado tudo em Las Vegas e se lambuzado em roteirinho charmoso no interior da Europa, tá na hora de tirar o ego da frente da câmera, caro turista.

Seja aqui ou nos confins da Groenlândia, não existe (por enquanto) lugar seguro, além da sua própria casa (e olhe lá).

A sua viagem precipitada pode até ter mexido na receita de alguns estabelecimentos do setor, que aliás amarga a crise mais forte de todos os tempos e precisa, sim, de apoio. Do Governo.

Mas a conta para a Saúde pode sair muito mais cara: para eles, para nós e para toda uma indústria turística que vem aprendendo na marra que forçar agora a reabertura do setor significa retroceder algumas casas no tabuleiro, dias depois.

E a Disney, hein? Quando será que abre?

A pergunta parece até piada de mal gosto em meio a uma pandemia, mas foi um dos questionamentos que mais vi por aí.

Mais vale uma orelha de rato na cabeça para garantir coraçãozinho em redes sociais do que saber como andam as panelas de profissionais afetados pela paralisação global, como guias de turismo que, na maioria dos casos, atuam de forma autônoma.

VEJA TAMBÉM: “Os erros da retomada do turismo no Brasil”

Bahia que não sai do pensamento

O mundo do turismo vem colecionando um abre e fecha que está longe de seu fim.

Só para ficar em território nacional, recentemente, o país viu casos similares em destinos importantes da indústria como Foz do Iguaçu, Gramado e a Chapada dos Veadeiros.

Itaquena, uma das praias isoladas, entre Trancoso e a Praia do Espelho (foto: Eduardo Vessoni)

A tão aguardada retomada do turismo em Porto Seguro, no sul da Bahia, é o caso mais recente e atinge também distritos como Arraial d’Ajuda, Trancoso e Caraíva.

Depois de ver os números de casos por coronavírus aumentarem, o destino adiou para agosto o retorno do comércio não essencial, incluindo o turismo que se preparava para voltar na última quarta-feira, 15 de julho.

Em três dias, os boletins epidemiológicos registraram um aumento de cerca de 8,5% de casos confirmados em Porto Seguro.

Praia do Espelho, no sul da Bahia (foto: Eduardo Vessoni)

Em nota, a prefeitura informou que o toque de recolher da cidade, entre 20h e 5h do dia seguinte, segue em vigor até dia 26 de julho. De acordo com o Decreto 10.906/20, ficam “terminantemente proibidas a circulação e a permanência de pessoas em parques, praças públicas e ruas de Porto Seguro”.

Já estabelecimentos de alimentação e farmácia têm serviço de entrega autorizado até às 23 horas.

Não visitem a Chapada

No mês passado, a Chapada dos Veadeiros, um dos destinos mais procurados de Goiás, fez campanha em redes sociais para que turistas evitassem a região.

De acordo com dados da Secretaria da Saúde de Goiás, o último boletim oficial de 16 de julho registrava 40.404 casos de coronavírus confirmados até às 14:20 desta quinta-feira.

Ah ‘seu’ jornalista, mas em Cavalcante, uma das cidades da Chapada goiana, são só sete casos registrados até agora. E que pare por aí não só o número de casos, mas também o de turistas sem noção que insistem em negar a gravidade da crise sanitária.

foto: Eduardo Vessoni

Exceto nos casos de pousos de naves extraterrestres, viajar (ainda) significa deslocar-se, pegar estrada ou embarcar num avião, cruzar com gente e interagir. Sem falar nos passeios, nas refeições em restaurantes e no hotel na hora de dormir.

A região do Rio Araguaia, cuja alta temporada começaria em julho, também se fechou para o turismo e passou a aplicar multas, desde o dia 1º de julho, a fim de proibir aglomerações na região.

LEIA MAIS: “Com aumento de casos de coronavírus, Goiás faz campanha para evitar turismo”

Gramado

Ainda regional, o turismo no destino mais famoso da Serra Gaúcha quase não teve tempo de comemorar a classificação da bandeira laranja.

Com 11 casos novos, a cidade voltou para a bandeira vermelha na última terça-feira (14/7).

O status é válido até dia 20 de julho, mas pode ser alterado caso a região melhore seus indicadores, segundo informou a prefeitura da cidade.

Foz do Iguaçu

Esse é outro destino do Sul que tem se preparado para abrir.

Menos de um mês depois de ser aberta para o turismo, Foz do Iguaçu teve que fechar seus atrativos, novamente.

imagem: Reprodução/Cataratas do Iguaçu

Com o aumento de casos de coronavírus em cidades do Paraná, como Curitiba, Londrina e Foz do Iguaçu, o Governo do Estado publicou decreto em 30 de junho que estabelecia suspensão de atividades nos 14 dias seguintes.

As Cataratas do Iguaçu, a atração mais visitado da cidade, informava em seu site, nesta quinta-feira, que o parque nacional continua fechado.

SAIBA MAIS: “Atrativos de Foz de Iguaçu voltam a fechar”

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*